Cidade do México – World Insiders #3

World Insiders Cidade do Mexico

Olá Brent e Michael. Falem-nos um pouco sobre vocês, as vossas paixões, os vossos destinos favoritos, viagens ou projetos.

Brent and Michael bio picture
fotografia de @alicenerrphotography

Somos o Brent e o Michael, um casal gay dos Estados Unidos que deixou Seattle há pouco mais de dois anos para ser nómadas digitais. Até ao momento, já morámos em Miami, Malta, Itália, Bulgária, Tailândia, Vietname, Suíça, Tbilisi, Geórgia e Cidade do México, onde estávamos quando tivemos que sair devido ao surto de COVID-19.

Trabalhamos os dois como escritores. O Brent escreve romances e argumentos, enquanto o Michael escreve ficção histórica, além de trabalhar como freelancer. Juntos, também escrevemos um livro infantil, um thriller e um livro de memórias de viagem sobre os nossos dois primeiros anos como nómadas digitais.

O que torna a Cidade do México tão especial para vocês?

Hmm, boa pergunta!

Em parte, pode ser pelas nossas expectativas. Sendo americanos, o México estava sempre ali ao lado, por isso não parecia algo exótico. Era principalmente um lugar em que os americanos iam para ir à praia. Além disso, a América em geral tem uma visão bastante tendenciosa e muitas vezes racista do México. Por isso, o México raramente recebe o reconhecimento que devia como o ótimo destino internacional que é. Apesar de lermos e viajarmos muito, podemos ter incorporado parte desse viés na nossa opinião da cidade.

Por isso, quando chegámos, ficámos surpresos ao perceber que não é apenas uma das maiores cidades do mundo, mas cheia de história, museus, cultura e arte incríveis. Também é incrivelmente bonito, com praças e parques em quase todos os quarteirões. De fato, bem no coração da cidade, a menos de dois quilómetros do nosso apartamento, está o Parque Chapultepec, um dos maiores parques do hemisfério ocidental.

Devemos dizer que vivemos numa parte muito rica da cidade. Também há muita pobreza aqui, o que é definitivamente comovente, e algumas partes que não são muito bonitas.

Qual a vossa área favorita da cidade?

Oh, essa é uma pergunta difícil de responder!

Morámos em Condesa e Roma Norte, muitas vezes consideradas duas das partes mais agradáveis da CDMX (como os habitantes locais se referem à cidade). E são fantásticos. O Parque Espana e o Parque México são parques fantásticos para passear. Estão cercados por maravilhosos restaurantes e cafés, lojas que vendem “gelato” e churros. E estão cheios de mexicanos a aproveitar os parques verdejantes e a companhia de amigos e familiares.

Oh, e cães. Muitos e muitos cães. Os mexicanos adoram os seus cães!

Parque Espana, Cidade do México
Parque Espana

Há também a Amsterdam Avenue, uma avenida com árvores que circunda partes de Condesa e Roma Norte. Passear por lá é imperdível. Mas não é a única zona pedonal da cidade, apenas a mais bonita.

De fato, muitas das principais avenidas têm uma zona para peões no centro, com árvores alinhadas por todo o caminho. Assim, em vez de ter que andar ao lado do tráfego, podes ter uma experiência muito mais agradável.

Há também a Zona Rosa, a zona gay da cidade. Honestamente, ficámos impressionados com o quão gay-friendly é a cidade inteira. Vimos imensos casais gays a passear por Condesa e Roma Norte, muito mais do que nos Estados Unidos, de mãos dadas e sendo afetuosos. Em parte porque os mexicanos nem sempre têm privacidade em casa, porque muitas pessoas jovens e solteiras vivem com as famílias. Mas mesmo assim, era bom de ver.

Há também o Centro Historico, o centro histórico da Cidade do México. É um lugar incrível para explorar.

Nos vossos tempos livres, o que podem fazer na Cidade do México?

Podes passear e explorar os parques e bairros maravilhosos, apanhar um autocarro turístico para ver as zonas mais distantes da cidade, observar as pessoas por horas a fio e provar a variedade interminável de comida de rua, sem mencionar a culinária requintada.

Mas não deixem de visitar os incríveis museus da cidade. De fato, muitos dos museus do CDMX são de classe mundial. O Parque Chapultepec, que por si só levaria o dia todo para explorar, é a casa de uma variedade de museus incríveis.

Se visitassem a Cidade do México pela primeira vez, o que seria imperdível de fazer e visitar?

Há tanto para fazer!

Mas com certeza diríamos para visitarem o Museu Nacional de Antropologia. É uma exibição incrível da surpreendente história e diversidade do México, remontando a algumas das primeiras civilizações das Américas. Há exposições fantásticas dedicadas aos maias, toltecas, olmecas e, é claro, aos astecas. Também há exibições maravilhosas sobre muitas das populações indígenas do México.

Passámos um dia inteiro lá e não conseguimos ver tudo. E, ao contrário de muitos museus americanos e europeus, é incrivelmente acessível. Apenas setenta Pesos, ou cerca de três dólares.

Também sugerimos uma visita a Xochimilco, que honestamente tem de ser experimentada. Está localizada nos arredores de CDMX e é um vasto sistema de canais e ilhas artificiais e é tudo o que resta do lago sobre o qual a cidade asteca original de Tenochtitlan foi construída. Agora, barcos de cores vivas chamados “barques”, cheios de pessoas comemorando aniversários ou apenas a divertirem-se, navegam de um lado para o outro pelos canais enquanto música mariachi é tocada. É uma loucura, mas de uma maneira absolutamente divertida.

E, claro, devem absolutamente visitar as ruínas antigas de Teotihuacan, com as suas fantásticas pirâmides, um pouco mais longe da cidade. À noite, até as iluminam num fantástico espetáculo de luzes.

E se for a estação certa, também precisam de ver as borboletas-monarca, que migram no inverno em algumas montanhas próximas à CDMX. Mas estejam avisados de que é uma atração muito popular.

Quantos dias recomendam para visitar a Cidade do México?

Poderiam facilmente passar duas semanas lá e não ver tudo. Dito isto, achamos que depois de três ou quatro dias de “passeios turísticos”, é difícil continuar a aproveitar o que estás a ver. Recomendamos que se tornem nómadas digitais como nós e morem lá por vários meses!

Qual a melhor altura do ano para visitar?

Nós estivemos lá de janeiro a março e achámos o clima fantástico. Às vezes ficava um pouco frio, embora para os mexicanos que se agasalhavam estava aparentemente muito frio! Achamos que a partir de abril a poluição pode ficar muito má e, a julgar pelo quão má foi quando lá estivemos, deve ser terrível. Portanto, não recomendamos ir no verão, mas disseram-nos que o outono também é uma boa altura para ir.

A gastronomia é um aspecto muito importante nas nossas viagens. Para alguém como nós, quais os pratos típicos que recomendam?

Dependendo de quanto corajosos vocês se estejam a sentir, a comida de rua do México é diferente de tudo o que vimos. Há literalmente carrinhos de comida em cada esquina, a vender todos os tipos de culinária mexicana. Mas provavelmente os mais populares são os Tacos Al Pastor, que é carne de porco em fatias finas servida em tortilhas. Existem muitas outras coisas também, mas lembrem-se de que existe muita carne de porco servida no México! E os mexicanos gostam de comida picante!

O nosso restaurante local favorito foi provavelmente o Tortas al Fuego, no bairro de Condesa. É muito popular entre os habitantes locais e pode ficar muito cheio, mas vale a pena.

Descobrimos um restaurante vegan incrível – La Vegan Taqueria em Roma Norte. Comida fantástica, embora seja muito pequeno! Ainda assim, tem dezenas de tipos diferentes de tacos vegan, todos muito saborosos.

E devemos acrescentar que a maioria dos restaurantes mexicanos é muito acessível pelos padrões americanos e europeus. Isso é duplamente verdadeiro para a comida de rua, mas devemos advertir que todos os não-mexicanos que conhecíamos tiveram uma intoxicação alimentar em algum momento. Os mexicanos pareciam muito bons em manter as coisas limpas, mas … devem escolher a comida de rua com muito cuidado (nunca comprem nada que não viram ser preparado). E, bem, estejam prontos para um pouco de desconforto de vez em quando!

Cidade do México Comida de Rua

Há sempre coisas novas a acontecer e a abrir em todo o lado. Que locais estão na moda na Cidade do México?

Paramo é um restaurante extremamente na moda agora, e a sua reputação é bem merecida. Mas boa sorte em conseguir um lugar!

Não podemos sair da Cidade do México sem?

Hmm, não éramos muito consumistas antes de nos tornarmos nómadas digitais e, como agora temos que levar tudo connosco, quase nunca compramos nada para levar. Dito isto, muitos dos nossos amigos abasteceram-se de tequila e mezcal!

O quê/ que sítios devemos evitar na Cidade do México?

Quando contámos aos nossos amigos e familiares que íamos morar no México, hove muita preocupação com gangues de drogas, tiroteios e raptos. E, sim, há partes do México onde coisas desse tipo acontecem, mas muito pouco disso acontece na CDMX.

Dito isto, é uma cidade enorme e definitivamente há pobreza. No entanto, nunca nos sentimos nem um pouco inseguros em Condesa, Roma Norte, Zona Rosa, Centro Histórico ou qualquer outra zona turística. Há sempre presença policial significativa e nunca ouvimos falar de alguém com problemas.

Mas, como em qualquer cidade grande, há lugares onde não devem ir, principalmente depois de anoitecer. Estes incluem os bairros empobrecidos que se estendem por grande parte da cidade.

Além disso, usem sempre serviços de transporte que chamem com o telefone, e não táxis, com tudo, inclusive o preço, explicitado com antecedência. Disseram-nos para evitar o metro, principalmente à noite. Até os nossos amigos mexicanos nos disseram que os carteiristas são um problema real lá, e às vezes até há roubos à mão armada. Mas outros amigos andavam de metro regularmente e nunca tiveram problemas.

Basicamente, basta usar o bom senso e tudo vai correr bem.

Como nos podemos deslocar na Cidade do México?

Tentamos andar a pé tanto quanto possível, por isso morámos em bairros onde pudéssemos alcançar a maioria das coisas a pé. Mas quando precisávamos de ir mais longe, o Uber era uma escolha ótima e barata.

O que sabem sobre a Cidade do México que só os locais sabem? Contem-nos as vossas dicas secretas!

Os habitantes locais eram malucos pela Churrería El Moro, uma pequena cadeia que vende, sim, churros! As filas eram sempre enormes. Se quiserem algo realmente decadente, provem a sandes de gelado de churros!

Brent Hartinger é escritor, cujo livro mais recente é The Otto Digmore Decision, e Michael Jensen é ex-editor do AfterElton.com. Podem encontrá-los em BrentAndMichaelAreGoingPlaces.com ou no Instagram, Facebook ou Twitter.





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